Wow!! Açores! É mesmo difícil explicar em palavras a beleza de São Miguel. Gostámos tanto, que assim que pudermos, queremos visitar as outras ilhas do arquipélago, que são igualmente especiais, tendo cada uma a sua característica. 

O Governo regional dos Açores oferece o teste para quem visite o arquipélago, e crianças até aos 12 anos ficam isentas de enfiar aquela super agradável zaragatoa pelo nariz acima. Esta parte de não ter de expor os meus filhos tão pequeninos a remexerem-lhe o cérebro com um cotonete, foi crucial na decisão do destino. Digam o que disserem, aquilo é sinistro. Tanto avanço tecnológico em tanto lado e já inventavam um teste fidedigno via saliva ou sangue. Mas avançando, porque este tema é demasiado sensível e eu já não posso com ele.

Estivemos em S. Miguel 6 dias/5 noites, o que foi suficiente para conhecer praticamente todos os highlights da ilha e sem grandes pressas, sendo a palavra pressa uma coisa muito relativa quando se viaja com crianças pequenas.

Vou-vos deixar abaixo o roteiro da nossa viagem, day by day:

Dia 1: 

Saímos de Lisboa antes das galinhas acordarem e chegamos a São Miguel quando as ditas tomavam já o pequeno almoço. Isto porque a Dona TAP, resolveu mudar o nosso querido voo para horas ligeiramente imprórias. Adiante…

Só existe uma empresa de aluguer de caravanas em S. Miguel – a ANC – e foi essa mesmo que amavelmente nos foi buscar ao aeroporto para nos levar para a nossa futura motor home. E depois das breves explicações de funcionamento do bicho, lá seguimos viagem e começamos a aventura! 

A primeira paragem foi num supermercado para abastecer a caravana de mantimentos para os próximos dias. Horas antes de chegarmos, a ilha entrou em confinamento e os restaurantes passaram apenas a funcionar em regime de take-away e havia recolher obrigatória as 20h, por isso, fora de Ponta Delgada, não encontramos um único sitio aberto. As vilas são muito pequenas, não há turismo nesta altura e não lhes compensa manterem-se abertos para servirem meia duzia de gatos pingados.

Dai seguimos, e a primeira paragem seria o Pico do Moinho Vermelho. Os miúdos entretanto ferraram e sem eles acordados, acabamos por ver o moinho ao longe e seguir estrada fora, até ao Miradouro do Escalvado, que têm uma vista linda sobre o lado norte da ilha, e sobre aqueles azulões petróleo do mar agitado dos Açores. Minis continuavam ferrados e nós arrancámos para a Lagoa das Sete Cidades para almoçar e passar o resto do dia. Depois do lanche fomos visitar o famoso Miradouro da Vista do Rei, onde visitámos o Hotel Monte Palace – um edifício abandondo, decandente, mas cheio de magia. Eu adoro sitios abandonados, se gostam, vão adorar este! Daqui iamos parar a caravana e pernoitar na praia de Mosteiros, mas não conseguimos porque não havia espaço e eu dei a sugestão de irmos dormir à Lagoa das Empadadas, que era apenas acessível por um trilho, onde a caravana nem passava. A noite caiu, não quisemos continuar em explorações e acabámos por dormir num parque de estacionamento à beira de uma estrada nacional. Dormimos lindamente, silêncio absoluto e de manhã, a unica companhia eram as famosas vacas malhadas.

Dia 2:

Dia de celebração!! 3 anos de vida da Pilar, a nossa miúda da banheira, que para quem não sabe, nasceu em casa, just the two of us, na banheira, porque mais ninguém chegou a tempo, nem médicos, nem pai, nem ninguém. Mas isto são histórias para outras núpcias. Aqui fala-se dos Açores! A primeira visita foi à Plantação de Ananases Arruda, onde os minis puderam ver o plantio do Ananás desde a semente até à fase final de colheita, e claro, saímos dali com ananáses suficientes para o resto dos dias. De seguida fomos à Lagoa do Fogo, que para mim foi o highlight e também o sitio mais bonito da viagem inteira. Fizemos um super power lunch e aventurámo-nos pelos trilhos para descer mesmo até à cratera, aka lagoa! O caminho para lá foi tranquilo, algumas zonas dificeis para os minis, mas fazíveis, e chegar lá abaixo e ter aquela “praia” só para nós compensou todo o esforço. Agora please, não nos imitem e não se ponham a tomar banho na lagoa, pois não é permitido. (Não sabiamos e nem reparámos nos sinais). É a lagoa mais selvagem e a sua água abastece ali os concelhos à volta, dai a proibição de banhos. 

Depois de muita brincadeira e de um lanchinho para voltar a ganhar energia, lá fomos nós subir tudo de novo, mas enganámo-nos no trilho e subimos um verdadeiramente difícil para duas crianças de 3 e 5 anos. Fomos preparados com uma mochila de caminhada, é certo. Mas experimentem enfiar 17kgs de gente lá dentro e subir uma montanha quase na vertical e ainda a ter de empurrar o rabo do outro, que só dizia que estava cansado? Boa Sorte!

Chegámos vivos, felizes e directos para um bolo de anos improvisado e logo a seguir paramos a caravana na Praia de Santa Bárbara, onde fomos ver o por do sol, e ficámos a dormir.

Dia 3:

Dia de manutenção! Fomos aos Bombeiros de Ribeira Grande encher o depósito de água e seguimos viagem para a Cascata do Salto do Cabrito. Depois das cascatas, seguimos para o incrível Parque de Caldeira Velha, onde tomamos banhos quentes nas famosas águas termais. Adorámos, a Pilar entrou em êxtase profundo de felicidade ao poder nadar naquelas águas a 39 graus. O parque é incrível, parece que estamos no meio da Costa Rica, estas piscinas deram 10-0 à Poça da Dona Beija. Daqui, quentinhos e estourados seguimos para a Lagoa de S.Brás, onde dormimos e pudemos curtir a lagoa só para nós. 

Conselho: vão cedo, pois a última entrada para os banhos é as 4:30.

Dia 4:

What a good day do drink a tea!! Não que eu seja uma grande fã! Hoje fomos à Gorreana (não confundir com Gonorreia), ver as únicas plantações de chá existentes na Europa. Depois do longo passeio, fomos ver o processo de fabrico e claro, beber um chá na cafeteria. Daqui seguimos para o trilho do Poço Azul, onde o Francis, sempre corajoso e sempre cheio de calor, deu um mergulho nas águas gelidas e transparentes desta pseudo lagoa-cenote style linda e deep down in the jungle! Depois do mergulho, seguimos para o Parque Natural da Ribeira dos Caldeirões, onde vimos uma mega cascata e demos um passeio óptimo pelo pelo parque. Chegámos à Caravana e eles caíram para o lado de tão cansados que estavam. Nós, aproveitamos que ainda havia alguma luz, para continuar pelo nordeste da ilha, parando em alguns miradouros como o da Ponta do Sossego e da Ponta da Madrugada e seguindo devagarinho até à zona onde iríamos dormir: Furnas 

Dia 5:

Como chegamos já bem tarde às zona das Furnas, paramos a caravana numa terreno perto da lagoa. Acordamos rodeados de verde e com um riozinho aos nossos pés. O dia estava feio, molhado e frio, o que foi uma pena porque dadas as condições difíceis tivemos de deixar o incrível Parque da Terra Nostra para uma próxima, mas ainda assim conseguimos ir visitar a tão badalada Poça da Dona Beija (o que achei super comercial e nada de especial comparada com outras), fomos também passear na zona das espectaculares fumarolas (na aldeia e também na caldeira onde se fazem os famosos cozidos) e acabamos o dia na Lagoa das Furnas, dali dissemos adeus ao verde luxuriante e seguimos para Ponta Delgada, parando ainda para ver o Ilhéu de Vila Franca e o power brutal das ondas do atlântico!

Dia 6:

O último dia foi passado entre amigos. Foi óptimo não ter de olhar para o mapa, nem decidir roteiros! Começamos o dia no Mercado da Graça, deliciados com as cores e cheiros vindas das bancas dos vendedores. Andamos a passear pela cidade, levamos os miúdos a parques infantis, conseguimos arranjar uma mesa num dos raros sítios abertos em PD (finalmente) e ainda conseguimos passar a tarde a digerir o almoço no sofá de amigos, enquanto os minis brincavam com outras criaturas pequenas. Sem sabermos, foi óptimo termos optado pela caravana como meio de transporte. Era fácil de conduzir, as camas são confortáveis, não passamos frio pois tem AC quente óptimo e rápido, os duches, também funcionam bem, apesar da água ter pouca pressão. E com tantos restaurantes fechados, conseguimos manter uma alimentação saudável e a horas, a cozinha da caravana está equipada com 3 bicos de gás e um frigorifico com um tamanho considerável. Não experimentamos uma série de restaurantes que nos recomendaram, mas é como digo: Voltaremos!!

Abaixo deixo alguns tips essenciais:

-Aluguer de Caravana, Carros e Excursões – ANC – https://www.azoresholidays.pt/veiculos/autocaravanas/ 

-Levem roupa apropriada para chuva e corta ventos, a temperatura muda rapidamente 

-Ilha maravilhosa para visitar com crianças, natureza por todo o lado

-Muitas das coisas de interesse são gratuitas ou cobram um preço muito justo 

-A ilha é pequena, em 6-7 dias conseguem cobrir os pontos principais

-A prática de caravanismo é muito recente na ilha, e por isso ainda não há grandes legislações em relação há sítios próprios para atracar o bicho 

-Se optarem pela caravana, encham o depósito de água sempre que possível

-Apesar de ser uma ilha muito limpa, andem sempre com um saco de plástico atrás, para ir recolhendo lixo alheio. E aproveitem e façam disto prática diária 

-Respeitem os locais, respeitem a natureza e os animais (vacas, vacas, vacas, vacas…) e viagem de forma o mais consciente possível, para que paraísos terrestres como estes, ainda estejam disponíveis daqui a uns anos

 #beatransformnation

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